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Este artigo contém spoilers sobre todos os aspectos de Os Últimos Jedi.

Isso não irá acontecer da maneira que você pensa

Diz Luke Skywalker no trailer de Star Wars VIII: Os Últimos Jedi, quase como um aviso ao público: este capítulo da saga será um pouquinho diferente do que estávamos habituados.

Este “aviso” se tornou realidade com a estréia do filme esta semana, agradando a crítica (inclusive nós do QAG), mas polarizando os fãs. É de minha opinião que o novo filme tem sim suas falhas, mas ao mesmo tempo tem o melhor roteiro e a melhor fotografia da série, o que diminui imensamente as falhas.

O Despertar da Força teve suas polêmicas quando saiu em 2015, mas nada que chegasse ao nível de polarização que está acontecendo agora.

“Ninguém odeia mais Star Wars que os próprios fãs de Star Wars”

Esta citação – circulando na internet a certo tempo e de atribuição anônima – nunca foi tão real quanto agora. Dirigido por Rian Johnson, o novo filme tomou certas liberdade criativas a respeito do cânone da série. Em geral, despedaçou todas as grandes teorias sobre as principais perguntas e ganchos deixados no último filme: Quem é Rey? De onde ela veio? Quais os pais dela? E o Snoke?

Quem assistiu o filme sabe (SPOILER!!!): Rey não é filha de ninguém importante, e seus poderes surgiram naturalmente da Força. Snoke é morto na metade do filme de uma maneira surpreendentemente simples, e não é dada resposta clara sobre sua origem. Luke Skywalker no começo age como um velho amargo até se redimir na batalha final contra Kylo. Tudo isso apenas para se revelar uma projeção da Força e “morrer” ao se tornar um com ela, assim como Yoda e Obi-wan antes dele.

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Muitos esperavam grandes revelações e estavam ansiosos para verem suas teorias, que cozinharam durante 2 anos na internet, se concretizarem.

Uma pessoa fez até uma petição online pedindo a remoção de Os Últimos Jedi do cânone da série.

Além disso, Os Últimos Jedi introduz elementos curiosos como:

  • Leia é uma usuária da Força mais forte do que imaginávamos e consegue sobreviver no vácuo do espaço tempo suficiente para puxar a si mesma em direção à nave, no maior estilo Mary Poppins, o que deixou todos meio WTF na sala de cinema;
  • A primeira reação de Luke ao segurar o sabre de luz lendário do seu pai foi jogá-lo do precipício;
  • A cena do Luke tomando leite direto da teta do bicho e sorrindo pra Rey, aquilo sim foi incrível;
  • Poe brincando com Hux durante a ligação. É bem no começo do filme e de cara saquei qual seria o tom do filme a partir dali;
  • Aquela parte toda no cassino. Me pareceu quase como um gostinho da trilogia prequel, e convenhamos, foi meio inútil para a trama. Mesmo assim, Finn, Rose, e BB-8 roubam a cena e deixam tudo mais tolerável.
  • A morte do Snoke. Achei ousada e ri de nervoso, mas percebi que era importante para o crescimento do Kylo e fez todo sentido pra mim.
  • As freiras lagarto do templo Jedi. Tive medo que fossem os novos Ewoks? Tive, mas foram utilizadas de maneira escassa.

Isso e outras coisas são o que compõe esse aspecto do filme. Dependendo do seu senso de humor e suas expectativas, isso tudo foi ou muito bom, ou uma “destruição completa do cânone de Star Wars” ou “um filme bom, mas não um filme de Star Wars”.

Sobre tais afirmações, aqui estão meus pontos principais:

1. Star Wars sempre foi meio esquisito

Vamos começar pelo… começo.

Em Uma Nova Esperança, temos esta pérola:

look sir droids

Look sir, droids!

A cena já começa com o Stormtrooper levantando meio que de lugar nenhum, segurando o que parece ser uma camisinha a primeira vista, e gritando “Senhor, droids!” e a cena corta de um jeito igualmente rápido. Talvez seja meu senso de humor estranho, mas eu acho hilário.

Um pouco mais adiante no filme, quando Luke aparece para resgatar Leia: ela que, só pra lembrar, PERDEU TODOS OS PARENTES, SUA CASA, SEUS AMIGOS E SEUS PERTENCES durante o ataque à Aldearaan poucos momentos atrás, exclama:

leia short stormtrooper star wars

Vou nem comentar essa pose

No mesmo filme, temos o famigerado Stormtrooper que bate a cabeça na quina:

stormtrooper head bump star wars

bang, bang

George Lucas não tinha percebido durante as filmagens, mas ele não só deixou no filme, o FDP ainda colocou um efeito sonoro de propósito.

Mais adiante na franquia temos aqueles malditos Ewoks:

Ursinhos carinhosos do espaço, talvez

Que ajudaram a derrotar o Império (?) e que, pra quem não sabia, ganharam sua própria série spin-off.

Ah, antes que esqueça: em A Ameaça Fantasma eles cortam uma porta usando sabre de luz. Na época ninguém questionou mas depois disso ninguém mais fez, e em A Vingança dos Sith o R2 voa e toca o terror:

 

Admito que na época eu amei isso. E ainda amo.

2. Se nem um filme da série principal pode introduzir novos elementos, então o que pode?

Agora que já exploramos os elementos “esquisitos” em Star Wars, vamos ao ponto mais polêmico do novo filme: o uso da força.

Durante Os Últimos Jedi vemos a Força sendo usada para, entre outras coisas: conectar a mente de duas pessoas, fazendo elas se verem no ambiente em que estão; Também vemos Leia usando a Força como método de propulsão no vácuo do espaço; E por último mas não menos importante, Luke usando-a para projetar uma imagem de si mesmo através de anos-luz de distância, naquele que é um dos clímax mais espetaculares do ano.

Fora do campo da Força, temos guardas imperiais com aquelas armas novas e fodas, e pela primeira vez na série, um ataque kamikaze usando hyperspeed, no que é provavelmente uma das cenas mais fodas da franquia inteira.

Todo filme principal da série introduziu novos elementos. O cânone muda e evolui constantemente com o lançamento de séries e livros. Porque incomoda tanto agora?

Parte do incômodo dos fãs parte da frustração causada pelas reviravoltas e quebras de paradigma introduzidas por Rian Johnson. Muitos culparam a própria Lucasfilm/Disney pela direção de Rian, quando em entrevistas, o próprio fala sobre mudanças e introdução de novos elementos. Culpam o diretor pela “marvelização” da série com toques de humor quando Star Wars é marcado de bom humor em todos os filmes passados. Acusam Rian de “não entender a Força” quando o próprio é fã ferrenho de Star Wars e esteve sempre sob o olhar da Lucasfilm, que nunca esteve tão controladora.

Keep Star Wars Weird!

A série sempre foi marcada de esquisitices, elementos novos e mudanças de cânone. Na tentativa de proteger aquilo que tanto amam, os fãs mais fervorosos acabam se tornando os piores críticos. Os Último Jedi não é imune de falhas de roteiro e decisões erradas de direção, assim como foi o anterior, mas é tão único dentro do horizonte da franquia que isso por si só já é um feito comendável.

Onde O Despertar da Força falhou no quesito originalidade, o novo filme se destaca dentro da franquia como um dos mais diferentes, e isso deve ser celebrado, não negado. Onde o filme anterior falhou em maneirar nas referências e acabou sendo lembrado apenas como uma cópia do passado e fan service, Os Últimos Jedi usa referências de maneira sincera, respeitosa e consegue se manter único.

A série é sobre celebrar diferenças e sobre união. Porque não focamos nesse lado e paramos de levar tudo tão a sério?

Não tem quem odeie mais Star Wars do que os fãs de Star Wars.