Uma senha sera enviada para seu e-mail

Você fã de Star Wars sabia que a história não se resume aos filmes? Você sabe me dizer como começou a Primeira Ordem? Não? Então está na hora de ler Legado de Sangue, de Claudia Grey.

Desde que a Lucas Films foi comprada pela Disney em 2012, muito esforço foi colocado para que a franquia como um todo fosse bastante coesa e conectada. Isto resultou em uma enorme variedade de livros, séries e jogos que complementam de forma oficial a trama dos filmes. Vale ressaltar, que no passado muitas publicações foram feitas com personagens de Star Wars. Autores fãs da obra deram continuidade a trama da primeira trilogia para criar sua versão da historia. Com a compra da Lucas Film, o Universo Expandido precisou ser reescrito e organizado. Assim todas estas obras anteriores a 2012 se tornaram não cânones, recebendo o selo Legends.

Muitas obras-primas foram resultado dessa nova postura da Disney, entre elas a trilogia Marcas da Guerra, que está sendo publicada pela Aleph aqui no Brasil, e o livro Estrelas Perdidas, de Claudia Grey.

Com um sucesso imenso em seu primeiro livro, a escritora volta ao universo de Star Wars desta vez para contar a história de Leia e o seu papel para o surgimento tanto da Primeira Ordem quanto da Resistência. Com um forte protagonismo feminino e um cenário político muito rico, Legado de Sangue não é só um dos livros mais importantes para compreender O Despertar da Força, mas também é um dos melhor livros da saga.

Leia: Heroína ou Traidora?

A treta rola solta no Senado. Seria Leia: Heroína ou Traidora?

House of Vader

Legado de Sangue se passa seis anos antes de O Despertar da Força. Aqui podemos acompanhar mais de perto o cenário político da galáxia, com o Senado dividido entre dois grandes partidos: os Populistas e os Centristas. O livro segue bem de perto a jornada de Leia em sua rotina nada convencional como senadora. A maior parte do tempo temos Leia e sua equipe investigando os cantos mais perigosos de uma República fadada ao fracasso. Sua equipe, composta de personagens novos, é bastante carismática, mas a Princesa consegue roubar a cena a todo instante.

A caracterização de Leia pela autora é surpreendentemente boa. No trabalho anterior de Grey, acompanhamos a vida de dois personagens inéditos pela história da franquia, o que foi sensacional. Desta vez, a autora nos mostra o quão é talentosa explorando um novo lado de uma das personagens mais consagradas da série de um modo extremamente natural. Leia é tudo aquilo que vemos nos filmes: ousada, generosa e simplesmente uma figura imponente. Sua “presença de palco”, por assim dizer, em todas as cenas do livro é muito impactante e nos faz até esquecer que estamos lendo sobre uma senhora de mais de 50 anos e não uma adolescente na casa dos vinte.

Korr Sella em O Despertar da Força

Lembra dessa cena? Essa moça em destaque é Korr Sella, uma das ajudantes de Leia

Legado de Sangue, Guerra e Política

A maior parte do tempo, o livro segue as investigações de Leia sobre um novo cartel de drogas que substitui o império dos Hutts. O livro então alterna entre momentos de ação explícita, com cenas de fuga, perseguição e conflito de tirar o fôlego, e momentos de investigação e politicagem. Mesmo nesses momentos mais “serenos”, o clima é sempre de tensão. É interessante ver que a ação dentro do Senado não perde em nada para a ação com naves e “blasters”. Os melhores momentos do livro acontecem durante esses conflitos políticos onde cada palavra esconde centenas de segundas intenções.

A trama evolui como todo bom romance young adult: surge um problema, ele vai se enrolando e tudo se resolve de uma maneira satisfatória. O ritmo é bem frenético. Muita coisa acontece o tempo todo e não tem um capítulo que pareça desnecessário solto por aí. Muitas vezes, graças a relação conflituosa entre a senadora Organa e o senador Casterfo. Ele é sem dúvida um dos pontos altos do livro, parecendo ser apenas um grande esteriótipo no começo, mas com um arco de desenvolvimento espetacular.

Leia exala poder em todo momento, mesmo nos mais sombrios

Fechamento

Com referências para agradar tanto os fãs dos filmes como os leitores mais ávidos da saga, Star Wars: Legado de Sangue é a melhor homenagem que a editora Aleph poderia trazer para a nossa querida Carrie Fisher quase um ano após a sua morte.

Esta é uma leitura obrigatória para quem saiu de O Despertar da Força cheio de perguntas, e quer saná-las antes de ver Os Últimos Jedi. Acredite quando eu digo que muita coisa que parecia forçada no filme é bem explicada aqui. Além disso, o livro trás muita informação relevante para o cenário político atual da saga, mas também sobre o surgimento desta nova guerra em Star Wars. Quem não for fã de politicagem deve ficar bem longe deste, mas quem não se importa com um pouquinho de política quando ela é bem escrita e é protagonizada por ninguém menos que a senadora Leia Organa vai se deliciar com Legado de Sangue.

 

Análise foi feita com livro cedido gentilmente pela editora Aleph

Uma guerra política com mulheres fortes
Grandes personagens femininas e negras fortesRitmo constante não te deixa cansarTraz informações relevantes para o novo cânonePersonagens cativantes Cheio de imprevistos
Bastante dependente de O Despertar da Força para ter impactoAlguns personagens são bastante unidimensionais
9.4Pontuação geral
Votação do leitor 3 Votos
8.7