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O mais perfeito equilíbrio
Atuações inspiradas e emocionantesEnredo empolgante e inusitadoVisuais de cair o queixoAs melhores atuações de Mark Hamill e Carrie Fisher
Um dos personagens principais tem um arco sem propósitoPersonagens importantes sub utilizados
9.7HINO!
Votação do leitor 1 Voto
8.0

Depois de muita espera, finalmente Star Wars: Os Últimos Jedi, oitavo episódio da saga Skywalker, chegou a este lado da galáxia. O oitavo episódio é tudo que poderíamos esperar dele: esteticamente incrível, uma história completamente nova e ousada, temas tocantes e uma digna despedida a nossa eterna Princesa LeiaCarrie Fisher. Apesar de dividir bastante os fãs, Os Últimos Jedi se impõe com êxito como um dos melhores filmes da saga.

Os Últimos Jedi se posiciona como inortodoxo e bem-humorado já nas primeiras cenas

Vamos começar falando do mais importante: diferente de como O Despertar da Força seguiu Uma Nova Esperança à risca, esta não é uma releitura de O Império Contra-Ataca enfeitada com nostalgia. Apesar de um começo bastante similar, Os Últimos Jedi não demora muito a tomar um rumos completamente divergentes de qualquer coisa antes vista na série.

Um dos exemplos mais claros dessa digressão, ante as convenções da saga, está na interação entre Rey e Kylo Ren. Em Os Últimos Jedi, seguimos a jornada de Rey e Kylo Ren em busca de seu lugar no mundo, enquanto a Resistência tenta não ser dizimada. A dinâmica entre os dois  acaba pondo em cheque as fortes ideias maniqueístas que a saga carregou por tanto tempo. Esse novo tom cinzento pode ser visto não só na moralidade expressa pela grande maioria dos personagens, como a Almirante Holdo e DJ ( interpretado por Guillermo Del Toro), mas também no figurino dos mesmos.

A moda da moralidade cinzenta chegou neste canto do universo

O equilíbrio é um dos temas mais presentes no filme, e graças a ele temos o grande arco de Rey e Luke Skywalker. Luke nunca foi um dos meus personagens favoritos, visto que ele sempre foi representado como um bastião de bondade. Entretanto, aqui temos um Luke diferente,  bastante atormentado por tudo que lhe aconteceu. Em meio a seu exílio, Luke teve muito tempo para refletir e é dele que vem grandes questionamentos sobre espiritualidade, com uma profundidade nunca antes vista nos filmes. É o momento mais dramático do personagem e Mark Hamill não decepciona em nenhum momento em sua atuação.

Não é só na forma de lidar com os personagens que o roteiro de Rian Johnson inova. Temos aqui um dos raros casos modernos de um roteiro nada preguiçoso. O conhecimento e respeito pelos personagens fica bem claro a cada novo obstáculo.  As soluções para as perguntas herdadas de O Despertar da Força são bastante ousadas, sagazes e, de um modo geral, satisfatórias. Johnson não tem medo de optar pelo caminho mais difícil, polêmico e arriscado para solucionar os problemas da trama, o que gera reviravoltas de tirar o fôlego e cenas completamente memoráveis.

Cenas estas completamente ressaltadas por toda direção de arte do longa que evidentemente colocou muito esmero (e dólares) em cada pequeno detalhe que compõe esta grandiosa obra. Algumas cenas são tão imponentes visualmente, especialmente as de Canto Bight, que é fácil se perder entre tantos detalhes, entre o brilho dos cenários e a vida das criaturas alienígenas que os habitam. A fotografia surpreende bastante por todo o filme, mas é no terceiro ato em que ela se destaca. As cenas gravadas no Salar de Uyuni são de cair o queixo e só tornam o universo da franquia ainda mais fantástico.

Cenas tão lindas que nem queremos spoilar aqui

Apesar de todos os seus acertos, algumas escolhas de design parecem incomodar alguns fãs. Sobretudo duas: o subaproveitamento de alguns personagens icônicos e um plot em especial que pareceu bem deslocado do resto do filme.

Pode-se dizer que o subaproveitamento de personagens com potencial já tenha se tornado uma marca da franquia, com nomes como Boba Fett e o próprio Palpatine na franquia original. Já o plot desconexo, apesar de conversar com uma das temáticas do filme –  o contraste da impulsividade da nova geração com o conhecimento dos mais velhos – não tem um desfecho muito convincente e realmente deixa um gosto amargo de tempo mal aplicado. Ainda assim, nada que subtraia muito da experiência geral.

A formosa Canto Bight trás um cenário super vibrante para um arco pouco relevante

Fechamento

Star Wars: Os Últimos Jedi cumpre o que lhe era esperado como o segundo filme da trilogia, amadurecendo o tom da mesma, ao mesmo tempo que quebra as expectativas gerais do público. O filme não tem medo de inovar, trazendo cenas corajosas e uma maior profundidade para os já adorados personagens de Star Wars. O filme conta com momentos bastante emocionantes, cenas impactantes e o auge da atuação de Mark Hamill e Carrie Fisher. Com certeza, um último presente deixado para nós pela General Leia Organa.

Carrie Fisher se despede

Vamos sentir saudades, Carrie Fisher!