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Dois adolescentes niilistas, uma vida insatisfatória e um humor negro que não poderia vir de outro lugar além do Reino Unido. The End Of The F***ing World é a nova série do Channel 4 a ser disponibilizada no Netflix no dia 05 de Janeiro. A comédia dramática é baseada no quadrinho homônimo de Charles Forsman, e suas inspirações vão de Terra de Ninguém (Badlands, 1973) de Terrence Malick até o clássico romance adolescente Apanhador No Campo de Centeio, de J.D. Salinger.

A série é contada a partir do ponto de vista de dois adolescentes deslocados, que vêem um no outro uma companhia aturável. Alyssa (Jessica Barden) não confia em pessoas que se encaixam, e é isso que lhe faz ir atrás de James (Alex Lawther), que descreve a si mesmo como tendo certeza que é um psicopata. Ela não sabe o que lhe atrai nele; ele acha que ela é uma ótima vítima para o seu primeiro assassinato. Eles logo começam um namoro disfuncional que os leva a fugir em busca de liberdade, e assim que ficam entediados, em busca do pai de Alyssa, que a abandonou há mais de dez anos.

Entretanto, o casal deixa uma trilha de caos nos lugares onde passam, servindo como conflito base para a história de amor de duas crianças problemáticas. Juntos formam uma dupla esquisitamente adorável, e os jovens atores destacam-se como ótimas escolhas para os personagens que se mostram devidamente complexos com o decorrer da história. Ambos já haviam feito parte de grandes produções cinematográficas: Alex Lawther, além de fazer um jovem Alan Turing no filme vencedor de Oscar O Jogo da Imitação, também protagonizou um episódio da terceira temporada da aclamada série Black Mirror. Já Jessica Barden, que estava na produção da série desde o piloto lançado em 2014 (co-estrelado por Craig Roberts, de Submarine) participou da terceira temporada de Penny Dreadful, além de uma pequena participação no longa O Lagosta, de Yorgos Lanthimos.

Já o teor humorístico da série pode ser descrito como sádico, no estilo britânico que trouxe outros sucessos, como a também série adolescente Misfits. Um humor negro que serve para aliviar a quantidade de drama e sangue contidos na série. E para adicionar outro símbolo britânico, a música da série é um trabalho original de Graham Coxon, guitarrista da banda de brit-pop Blur, que compôs mais de 40 músicas para a produção. Tudo por um pedido especial de Jonathan Entwistle, o criador da série. Em uma entrevista para a Noisey, Graham além de expor parte do processo de criação ao lado de Jonathan, falou sobre o jeito britânico de lidar com o clima pesado. O segredo, segundo ele, é “dar uma risada, algo para aliviar o tom”.

E é com esse clima de risadas que a série aumenta o seu conflito episódio após episódio até o final angustiante. E cada episódio tem apenas 20 minutos, transformando a série na maratona perfeita para quem é adepto do binge-watching. Se você não for um desses, desejo boa sorte. O final de cada um dos oito episódios tem aquele toque de drama perfeito para te fazer ir direto assistir o próximo.

Nota-se que The End Of The F***ing World tem tudo para ser a nova série adolescente a fazer sucesso. Ela ainda cumpre o requisito de ter apenas uma temporada, embora esteja finalizada, para satisfação dos jovens que ainda estão sofrendo com o cancelamento de Freaks and Geeks e Minha Vida de Cão. É, você mal pisca e a série acaba. E quando você vê, está procurando pelo quadrinho para poder ler um pouquinho mais do romance de James e Alyssa.

Crítica: O Romance Niilista em The End Of The F***ing World
Personagens Bem DesenvolvidosTrama ComplexaTrilha Sonora bem relacionada com a históriaUm bom exemplo do humor britânico
Só tem uma temporada(Eu não devia ter maratonado)
8.5Pontuação geral
Votação do leitor 1 Voto
9.3