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Otherlife estreou na Netflix em 15/10/2017 e trata-se do meu gênero favorito de filmes: ficção científica. Também conhecida como sci-fi (science fiction). A história chegou no streaming sem que houvesse muita divulgação, mas a sinopse logo impressionou.

otherlife droga tecnológica

Otherlife: droga é capaz de criar realidades virtuais na mente de quem a utiliza.

O filme conta a história de uma cientista chamada Rae que inventa um tipo de droga hi-tech que é capaz de criar realidades virtuais na mente do usuário, e com isso alterar a sua percepção sobre o tempo. Na verdade, a droga de certa forma “hackeia” o seu cérebro para fazer você acreditar que aquilo foi real, incluindo todas as sensações.

Dirigido por Ben C. Lucas, o filme de origem australiana, tem uma temática muito atual, mas na verdade trata-se de uma adaptação do livro “Solitaire” da americana Kelley Eskridge, publicado em 2002. Pelo visto, a produção Hollywoodiana deixou essa passar, rendendo um excelente filme para nos mostrar como a Austrália também possui excelentes profissionais no cinema.

VOCÊ QUER @HOLLYWOOD?

Antes de ter sido oficialmente lançado, Otherlife foi exposto no Sydney Festival que aconteceu em Junho de 2017, e foi muito bem recebido pelo público. É muito bom quando vemos produções menores como estas chegando a nível internacional e conquistando audiência.

sydney festival

Otherlife chegou inclusive a receber críticas do The Guardian (avaliação 3/5), que concluiu que “a reflexão inovadora de Ben C. Lucas sobre as armadilhas da tecnologia tem um apelo hollywoodiano e que apresenta uma performance sombria e carismática de Jessica De Gouw.” (tradução livre da equipe QAG).

Não é para menos, pois a atriz esta incrível na sua atuação, entrando realmente na personagem e nos surpreendendo. A atriz que interpreta Rae é conhecida principalmente pelo seu papel na série Arrow, como a “caçadora” ou Helena Berinelli.

Além disso, a personagem foi muito bem construída, já que para entender o plot principal do filme é necessário primeiro compreender quem é Rae e o que ela deseja – ponto para os roteiristas que encaixaram muito bem a maneira como tudo ocorria.

Otherlife; Jessica De Gouw dá show de atuação

A atuação de Jessica De Gouw foi fundamental para a construção da personagem

De certa maneira, pode-se dizer que a produção segue um estilo parecido com o dos produtores de Black Mirror, quase que uma longa metragem (não que os episódios de Black Mirror já não sejam longos o suficiente) da série – porém que nos surpreende ainda mais com toda a ação que rodeia a narrativa.

A produção do filme surpreende tanto que segundo o portal The Hollywood Reporter “ele é uma fatia elegante da ficção científica, feito com um senso de escala, que chega até desmentir o orçamento ‘indie’ que possuía”.

Otherlife poderia se tornar uma série?

Otherlife até poderia ter rendido uma ótima série, já que ainda haviam plots secundários para serem explorados na história. Todavia, não teria atingido o objetivo principal da trama: mostrar que a tecnologia pode ser útil, mas também muito perigosa.

Além disso, dado o orçamento do filme seria difícil manter o mesmo nível que tivemos em Otherlife, caso fosse transformado em uma série. Assim como vimos com Limitless (Sem Limites): o filme é muito bom e mantém um nível incrível – porém, a série apesar de incrível e muito bem feita, logo se torna cansativa e repetitiva, tanto que foi cancelada logo na primeira temporada.

Relação Espaço x Tempo

Por último, vemos uma crítica leve no filme a respeito do tempo: ele é necessário e precisa acontecer. Na história, o companheiro de Rae está muito preocupado em cumprir o prazo de lançamento do Otherlife, acima de tudo, ainda que para isso seja necessário que as pessoas trabalhem incansavelmente, e que programas sejam rodados sem prévios testes.

Nem tudo pode ser feito de uma hora para outra, inclusive as memórias que criamos também não são “apenas reações químicas”, como Rae afirma na história – viver muita coisa em pouco tempo como, por exemplo, um ano em apenas alguns minutos pode ser perigoso – a carga de hormônios e o estresse que esta situação proporciona é nocivo ao corpo humano. Embora a biotecnologia tenha avançado muito, de fato o corpo humano não foi feito para ser compatível com a tecnologia.

Considerações Finais

otherlife olho após uso de droga

Quando falamos de implantar memórias falsas em nosso cérebro, e de utilizar esta tecnologia para tentar curar algumas doenças, a princípio falamos de um avanço positivo – todavia, e se esta tecnologia fosse utilizada à força em uma pessoa para induzir comportamentos? E se fosse utilizada para tortura? E se a tecnologia se tornar uma droga e induzir ao vício?

Quanto mais a tecnologia avança, mais nós nos perguntamos sobre os impactos dela no futuro e como isso nos afetará. Muita coisa que no passado não passava de ficção científica, hoje já é realidade , ou seja, a criação de conteúdo “sci-fi” para as telas de cinema e televisão impulsionam os anseios da sociedade e nos permitem ir além dos nossos próprios limites.

Muito mais do que imaginar, este filme nos desafia a criar e tornar o futuro em realidade aqui e agora. É interessante essa atual tendência nos filmes de questionar e colocar a tecnologia em cheque… O que pode dar errado? O que ocorrerá de fato? Irá ferir a nossa ética moral?

Não é a toa que dentro da futurologia, os diretores de filmes de ficção científica se destacam…Eles conseguem com maestria trazer o futuro para nós de maneira visual, e isso nos intriga e nos deixa curiosos. Sendo claro que, neste caso, na maior parte das vezes o estudo futurista parte de algum estudioso na área.

Por outro lado…

Embora a ideia do filme seja evidenciar como a tecnologia pode ser perigosa, também devemos olhar pelo lado positivo… Imaginar as possibilidades e pensar que a sociedade caminha para um futuro onde teremos a responsabilidade de utilizar essa tecnologia.

É importante manter a mente aberta, pois, muitas drogas possuem potencial farmacológico e que poderiam ser utilizados para o bem. O próprio filme cita um exemplo disto: a heroína. Foi descoberta e era estudada com finalidades acadêmicas e acabou se disseminando pelo mundo como uma droga psicodélica.

Confira abaixo a ficha técnica e o trailer do filme:

Ficha Técnica

Título Original: Otherlife (2017)

Diretor: Ben C. Lucas

Roteiro: Kelley Eskridge, Ben C. Lucas,  Gregory Widen

Elenco Principal : Jessica De Gouw, Shalom Brune-Franklin, Thomas Cocquerel

Gênero: Drama / Ficção Científica / Indie

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 1h 35min

Trailer de Otherlife:

 

 

Agora, corre para comprar uma pipoca, deitar debaixo das cobertas e assistir!

Depois, volta aqui para contar para a gente o que achou (:

 

Otherlife: Crítica do novo filme australiano da Netflix
História InovadoraFilme Independente Muita açãoPersonagem bem construídaDesafiador
Pouco divulgadoReferências a títulos já existentes e explorados
8.5Shantay, you stay (:
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