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Dando uma olhada rápida, Ittle Dew 2+ pode até parece uma simples imitação de Zelda, mas bastam poucos minutos no seu mundo extenso para perceber que a pegada é completamente diferente. Com alta dose de humor e criatividade, Ittle Dew 2+ é um equilíbrio perfeito entre paródia e desafio. É uma experiência incrível que coloca alguns Zeldas no chinelo.

Conheça Ittle Dew e sua parceira Tippsie! Sempre animadas para uma aventura.

O despertar de Ittle Dew

Ittle Dew, a protagonista que dá nome ao jogo, está de volta com um visual repaginado que foge do andrógeno do primeiro jogo e assume toda sua feminilidade. A jangada de Ittle por algum motivo se destruiu em uma ilha misteriosa bem no começo do jogo. Acompanhada mais uma vez de sua amiga cadela/raposa/imitação de fada Tippsie, Ittle tem que encontrar os oito pedaços de jangada que precisa para voltar pra casa. O problema é que na ilha que ela caiu existe um velho chamado Passel, que odeia aventureiros e ele contratou todos os residentes parar tentar impedir a sua aventura. Se você achava que as coisas seriam fáceis, pense de novo.

Se essa história de jangada que é destruída numa ilha misteriosa não é nova pra você, você provavelmente já jogou alguma coisa do incrível The Legend of Zelda: Link’s Awakening. A leve semelhança no enredo não é acidental, Ittle Dew 2+ busca inspirações diretamente deste capítulo da série. Além do plot, temos também certos power-ups temporários que às vezes dropam de inimigos quando derrotados. Ittle Dew 2+ tem inúmeras semelhanças com a franquia da Nintendo, mas as diferenças são tão impactantes que elas mudam a experiência drasticamente.

Este é o embuste que contratou todos os chefes do jogo só pra te atrapalhar. Um infeliz mesmo.

Linda, livre, leve e solta

A ideia chave do jogo é que você consegue fazer praticamente tudo apenas com sua espada e sua habilidade. Todo o design do jogo segue essa filosofia: as dungeons, as salas secretas, os chefes… Absolutamente tudo pode ser feito assim que você conseguir desde o começo do jogo, o que confere uma liberdade absurda.

Graças a isso, as dungeons podem ser enfrentadas na ordem que você quiser sem diminuir a sua experiência. O jogo inclusive incentiva que você quebre a ordem recomendada. Para quem não curte essa liberdade, o mapa vai sempre marcar o próximo local onde você deve ir, não deixando ninguém perdido. Mas quem abraçar de vez seu espirito aventureiro vai conseguir acessar atalhos exclusivos em quase todas as dungeons.

É menos sobre usar itens e mais sobre usar a cabeça.

Um problema que os jogos com uma história não linear, como The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, enfrenta é a questão da falta de dificuldade. Como qualquer dungeon pode ser a primeira do jogador, nenhuma pode ser muito difícil o que quebra a curva de aprendizado. Ittle Dew 2+ não sofre desse mal.

O jogo em si não é fácil. Conforme você vai se afastando do centro do mapa, onde você começa, a dificuldade vai naturalmente aumentando, mantendo uma  progressão agradável. Não só os inimigos vão ficando mais fortes, mas também os puzzles se tornam mais complexos. Estes são compostos basicamente de puzzles de empurrar caixas na ordem certa, mas o jogo adiciona tantas variáveis que, apesar de ser uma tarefa simples, ela vai exigir que você pense bastante antes de prosseguir.

Você quer chefes difíceis @Zelda? Então vai estudar

Outro elemento que se destaca são os chefes. Eles são um desafio a parte. Diferente dos jogos de Zelda onde você deve usar o item da dungeon para explorar a fraqueza do chefe, aqui você precisará estudar bem os seus movimentos. Cada chefe dá uma abertura diferente ao ataque e cabe ao jogador descobri que abertura é essa e explorá-la. Com padrões de ataque impetuosos e uma vida razoavelmente grande, eles vão exigir pensamento rápido, reflexos aguçados e esquivas… Bastante esquivas.

Tá de deboche?

Para compensar a dificuldade do jogo, temos a leveza com que tudo é tratado. É incrível o nível da criatividade que foi colocado em cada elemento do jogo, desde os inimigos até as próprias dungeons. Se em um momento você está correndo dos espinhos de um cacto maromba no meio de um deserto cheio de pimenta e nachos, no outro você pode estar explorando uma exposição de arte que na verdade é uma dungeon onde os inimigos te atacam para defender suas opiniões excêntricas sobre arte. O humor do jogo é super afinado e foge do óbvio, tornando a experiência ainda mais agradável.

Afinal, o que é dungeon e o que é arte?

Para fechar esse pacotão temos toda a estética caprichada do jogo. A direção de arte continua incrível. Ela pega bem o jeitão de websérie que tinha o primeiro jogo e extrapola isso para o 3D, gerando um estilo diferente como o próprio jogo. Na parte musical temos faixas incríveis que realçam toda a atmosfera de cada ambiente. Dentre os destaques, temos a música da floresta estrelada que é leve e diferentona, o que combina muito bem com o estilo do jogo.

Fechamento

No geral, temos um jogo bem redondinho em Ittle Dew 2+. Todos os elementos conversam muito bem entre si, se equilibrando para gerar uma experiência desafiadora e leve ao mesmo tempo. O maior acerto do jogo é que ele respeita o seu jeito de jogar, seja ele mais aventureiro ou mais reservado. Com pouquíssimas falhas de design, seja você um jogador veterano de Zelda ou um iniciante no gênero, Ittle Dew 2+ é uma experiência completa.

Kill them with kindness ou com porrada mesmo

Ittle Dew 2+ foi gentilmente cedido pela Nicalis para análise no Nintendo Switch.

 

Ittle Dew 2+ (Switch,XONE,PS4,PC)
Bem humoradoLiberdade como conceito principal de designInimigos e dungeons criativasBastantes segredos e dungeons extrasChefes desafiadores, mas justos
Inimigos respawnam sempre que você morre ou sai da salaItens sem muita inspiração
8.9Hiyaa!
Votação do leitor 1 Voto
9.7