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Assassinato no Expresso do Oriente chegou no cinema na última quinta-feira e trouxe, depois de muitos anos, mais uma adaptação da obra da autora que mais vendeu livros na história. Agatha Christie, também conhecida como a Rainha do Crime por causa do gênero ao qual dedicou grande parte da carreira, detém números impressionantes. Inclusive, citamos a famosa autora na nossa lista de escritoras mulheres que precisam estar na sua estante (clique aqui).

Agatha Christie na década de 1950.

Seus livros foram traduzidos para 103 idiomas e, atualmente, ela é a escritora mais vendida do mundo: os seus romances venderam mais de 4 bilhões de cópias. Seu nome também aparece no Guinness Book of World Records por causa da peça de teatro que mais tempo ficou em cartaz: A Ratoeira estreou em Londres em 1952 e está em cartaz até hoje! Em 2012, a peça alcançou a marca de 25 mil apresentações.

Durante os seus 56 anos de carreira, Agatha Christie publicou 72 romances e 12 coletâneas de contos, além de várias peças de teatro. E, não, Assassinato no Expresso no Oriente não é a primeira adaptação pro cinema. Inclusive esse mesmo livro, publicado originalmente em 1934, teve sua primeira adaptação em 1974, com Ingrid Bergman e Sean Connery no elenco.

E pra quem assistiu o filme de 2017 com Penélope Cruz, Judi Dench e a Michelle Pfeiffer e está curioso pra conhecer melhor a obra da Agatha Christie, confira a lista dessas obras que servem como um pontapé inicial para A Rainha do Crime.

 

1. O Assassinato de Roger Ackroyd (1926)

A edição mais recente de O Assassinato de Roger Ackroyd

Esse livro mostra exatamente todos os elementos recorrentes na obra da Agatha Christie: o assassinato, a investigação, os suspeitos, o desfecho final. Agatha ficou conhecida por saber conduzir o seu leitor por caminhos tortuosos para chegar num final surpreendente. E a solução do crime em O Assassinato de Roger Ackroyd foi motivo de polêmica na época de seu lançamento.

Além disso, o responsável pela investigação da morte de Roger Ackroyd é o detetive Hercule Poirot, o mais famoso detetive da obra de Agatha Christie, que é apresentado ao público desde seu primeiro livro publicado em 1920, O misterioso caso de Styles. Hercule Poirot é famoso por sua inteligência e pelo uso das suas “celulazinhas cinzentas”. No filme Assassinato no Expresso do Oriente de 2017, Hercule Poirot é interpretado por Kenneth Branagh, que também é o diretor do longa-metragem. E é fundamental conhecer Poirot para conhecer a obra da autora. Ele também aparece em Os Quatro Grandes (1927), Os crimes ABC (1936), Morte na Mesopotâmia (1936), Morte no Nilo (1937), Cai o Pano (1975), entre outros.

 

2. Um Corpo na Biblioteca (1942)

Geraldine McEwan, como Miss Marple, em série da ITV

Outro livro imprescindível é Um corpo na biblioteca, que mostra cenários interioranos, bem conservadores, cercados por jardins e mexericos. As cidades pequenas são cenários em muitos livros da Agatha Christie. Além disso, outra personagem é fundamental para saber conversar sobre a obra da escritora: a Miss Jane Marple.

Diferente dos estereótipos de investigadores, como Sherlock Holmes do Arthur Conan Doyle, Miss Jane Marple é uma senhorinha perspicaz que mora em St. Mary Mead, aldeia fictícia da obra da Agatha. Miss Marple é conhecida por sempre relacionar os suspeitos dos crimes aos morados de St. Mary Mead e, assim, ela sempre descobre os culpados.

Ela aparece em doze romances, entre eles A Testemunha Ocular do Crime (1957), Mistério no Caribe (1964) e Um crime adormecido (1976).

 

3. Morte no Nilo (1978)

 

Morte no Nilo foi publicado originalmente 1937 e é um dos livros mais famosos da escritora. Linnet Ridgeway, uma jovem linda e bem-sucedida, é assassinada durante uma viagem pelo Rio Nilo, no Egito. E um dos passageiros é Hercule Poirot. Esse livro traz mais dois elementos recorrentes na obra da escritora: mortes no exterior (como Morte na Mesopotâmia, de 1936, Encontro com a Morte, em Jerusalém, de 1938 e Mistério no Caribe, numa ilha do Caribe, de 1964) e mortes a bordo (como O Mistério do Trem Azul, de 1928, Assassinato no Expresso do Oriente, de 1934 e Testemunha Ocular do Crime, de 1957).

Eu assisti a adaptação de 1978 e, sim, é muito fiel ao livro. Dirigido por John Guilhermin (o mesmo diretor do King Kong com a Jessica Lange) e tem Bette Davis, Mia Farrow e Maggie Smith no elenco.

E a Fox já confirmou que, em breve, farão uma nova adaptação de Morte no Nilo, como uma continuação do filme lançado semana passada!

 

4. Os Diários Secretos de Agatha Christie (2010)

Os diários secretos de Agatha Christie, de John Curran

Nada melhor pra um fã de literatura do que conhecer o processo de escrita dos seus ídolos! Em Os diários secretos de Agatha Christie, John Curran, curador literário da obra da Agatha Christie, mostra detalhes desconhecidos da escrita dos mistérios dos romances. Juntando trechos de livros com fragmentos dos diários da escritora, Curran revela que nem sempre Agatha Christie tinha planos definidos para os personagens: mudanças no roteiro aconteciam durante a escrita dos livros. E várias anotações sobre os assassinatos dos livros estavam acompanhadas de desenhos e listas de compras feitas pela escritora! Como não amar?

E, no fim do livro, ainda tem dois contos inéditos protagonizados pelo Hercule Poirot: A Captura de Cérbero e O Incidente da Bola de Cachorro.

 

5. Filha é filha (1952)

Edição brasileira de Filha é filha, de Mary Westmacott

Mas por que você tá indicando um livro escrito por outra pessoa para falar da Agatha Christie? Calma. É que a Agatha Christie não escreveu só romances policiais. Com o pseudônimo Mary Westmacott, Agatha publicou seis romances (que alguns críticos têm chamado de novelas) que sempre tem mulheres como protagonistas: mulheres e suas relações com a vida, as paixões, com a família.

Os seis livros são O gigante (1930), Retrato Inacabado (1934), Ausência na Primavera (1944), O conflito (1948), Filha é filha (1952) e The Burden (1956). Filha é filha conta a relação entre uma mãe viúva, Ann, e sua filha de 19 anos, Sarah. A relação das duas é abalada pelo começo de uma paixão da mãe por um desconhecido. Em 2009, o livro ganhou uma adaptação para o teatro na Inglaterra.

Eu usava o pseudônimo de Mary Westmacott e ninguém sabia que o livro tinha sido escrito por mim. Consegui manter esse segredo por 15 anos”.

 

Bônus

  •  A obra da Agatha também foi adaptada para a TV. Entre elas está Agatha Christie’s Poirot que, como o nome já diz, é focado no principal personagem da escritora. A série teve 13 temporada e ficou ao ar de 1989 a 2013.
  • Quentin Tarantino disse que o livro E não sobrou nenhum (também conhecido como O Caso dos Dez Negrinhos) o inspirou para escrever o roteiro de Os oito odiados, filme de 2015. E não sobrou nenhum é uma das obras-primas da Agatha Christie.
  • E, sim, a Agatha Christie também tem uma autobiografia (inclusive onde ela conta sobre o prazer em escrever E não sobrou nenhum). Agatha Chrstie – Uma biografia foi lançado originalmente em 1977, um ano após sua morte.