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Desenvolvido pela MDHR Digital, Cuphead é a prova do que uma pequena equipe – e fé numa ideia – ainda podem prevalecer num mundo de jogos incompletos e microtransações. O jogo é um plataforma de tiro, da mesma veia de Metal Slug e Contra, intercalado com sessões de shooter sidescroller que rementem a bullet hells. A precisão e fluidez do gameplay por si só já é comendável e sustenta um incrível jogo, mas o detalhe mais intrigante e chamativo de Cuphead é, com certeza, sua direção artística.

Quase 10 anos de desenvolvimento e uma equipe pequena liderada por dois irmãos canadenses resultou no que é provavelmente a primeira gema indie desta geração. Inclusive, Cuphead venceu a categoria de Melhor Indie em nossa premiação.

Cuphead title screen

Espírito Technicolor

Os desenvolvedores tomaram como inspiração animações dos anos 30 e o jogo inteiro gira em torno dessa estética, da música até a tela inicial, com direito a música tema cantada por um quarteto “barbershop“.

Todas as animações foram feitas tradicionalmente no papel e escaneadas para o jogo e os cenários pintados em aquarela, o que eleva a autenticidade de estética a um nível de perfeição e fidelidade que impressiona. O próprio design e movimentos dos protagonistas em si já é de uma simplicidade genial: se me dissessem que estes personagens vem dos anos 30, eu teria acreditado. Cada inimigo e chefe carrega um charme e criatividade cativantes que incorporam o espírito das animações da época com perfeição.

A autenticidade e compromisso com o tema não terminam só na parte visual: composta por Kristofer Maddigan, a trilha foi toda gravada e arranjada com instrumentação real de jazz, com toques de ragtime e até música latina, o que só acrescenta ao espírito de época, e que complementa perfeitamente um jogo já cheio de energia.

No modo co-op é possível ressuscitar o outro jogador, porém com penalidades

No modo co-op é possível ressuscitar o outro jogador, porém com penalidades.

Onde os fracos não tem vez

Um detalhe importante é que o jogo é composto quase completamente por chefes, cada um com design, padrões de ataques, música e fases únicas. Um alerta: Cuphead é um jogo MUITO difícil e isso pode frustrar certos jogadores que se sintam atraídos pela estética, mas que não tenham experiência com o gênero.

Apesar da dificuldade, o jogo em si não é injusto. O movimento de certos inimigos pode ser aleatório em partes, mas todos ataques são telegrafados e o jogo não te joga surpresas desagradáveis, fazendo com que todos os seus erros sejam culpa apenas do jogador.

Certas decisões de game design interessantes e modernas para o gênero aliviam a dificuldade. Vidas ilimitadas, a ausência de barra de vida para o chefe (criando um elemento de surpresa e antecipação) upgrades permanentes e uma “barra de progresso” que aparece após cada morte, localizando o jogador entre as fases dos chefes. Tudo isso em conjunto faz com que cada vitória carregue um sentimento de conquista e uma onda de adrenalina que me fez sentir como criança de novo.

Sim, temos co-op

Todas as fases e todo mapa explorável estão disponíveis para se jogar com um amigo usando um segundo controle. Neste modo de jogo, é possível resgatar o parceiro morto com um “parry”. No entanto há uma penalidade de vidas com cada resgate, que vai ficando mais difícil com cada tentativa.

O modo co-op pode deixar o jogo mais frenético do que já normalmente, mais aí que reside a diversão: no meio da bagunça, vão surgir estratégias, decepções, risadas e até traições.

A fase "Floral Fury" contém uma das melhores músicas da trilha

A fase “Floral Fury” contém uma das melhores músicas da trilha

Cuphead é um desses jogos que fazem lembrar como o compromisso com uma visão e um gameplay fluido e impecável são capazes de gerar uma experiência completa e atemporal digna dos clássicos. Uma pena que sua dificuldade alta, apesar de justa, pode espantar e frustrar muitos jogadores.

Cuphead (PC, Xbox One)
Direção de arte impecávelTrilha sonoraAlto fator de replayCo-op divertidoDificuldade justa
Upgrades e power-ups poderiam ser mais bem explicadosDificuldade, apesar de justa, pode ser opressora em momentos
8.5Pontuação geral